segunda-feira, 14 de junho de 2021

Transferência de potência Digital


 Quando estamos trabalhando com um circuito analógico, e desejamos aumentar a potência que certa parte do circuito recebe, sem altera-lo a forma mais fácil de fazer isso é aumentando a tensão que cai sobre o componente que desejamos aumentar a potência, podemos fazer isso simplesmente mudando a alimentação do circuito, mas quando estamos mexendo com eletrônica digital, temos apenas dois níveis de tensão. alto e baixo, como podemos então variar a potência em certo componente?

Existem duas formas de fazer isso, a primeira é por um conversor digital-analógico, ele recebe a informação do processamento de um lado, e faz a interface com a eletrônica analógica do outro, dessa maneira pode-mos sair desse mundo de níveis lógicos, e retornar ao uso de tensões variáveis, mas esses dispositivos não costumam aguentar muita corrente para alimentar uma carga, no máximo para enviar um sinal, de um lugar ao outro.

A segunda forma e a mais usada, e feita ligando e desligando a carga realmente rápido, ela é. Hamada de PWM, Pulse Width Modulation, modulação por largura de pulso, a onda passa um tempo com a alimentação máxima do circuito, e em seguida, um tempo sem alimentação, mas ai você pode pensar, "A carga vai ficar ligando e desligando.", Sim ele fica, mas se ele liga e desliga muitas vezes por segundo o resultado é como se fosse aplicada uma tensão média menor que a alimentação,escolhemos o valor dessa tensão média pela relação entre os tempos de saída em 1 e saída em 0, de acordo com a seguinte equação.

 
Nessa equação Vin é a alimentação do circuito da carga, esse circuito pode ser ou não o mesmo circuito do processamento;
Tl é o tempo que a onda passa em nível lógico 1; 
P é o período da onda, caso não se lembre, a fórmula para se encontrar o período é:
 
Essa fração Tl/P também pode ser chamada de Duty Cicle, ou ciclo ativo, essa grandeza é expressa em porcentagem.
É muito importante quando estamos projetando um circuito de PWM, que a frequência da onda seja maior do que a frequência máxima que a carga percebe, ou seja, a carga deve ver uma tensão eficaz, e não um tempo ligada e outro não.
E como podemos fazer esse circuito PWM? Ele pode ser feito com microcontroladores, ou um processador, mas há também como faze-lo usando circuitos osciladores com 555, veja abaixo:
 
 
  Nesse circuito U1 é um oscilador astável, que gera a frequência básica do PWM, e U2 é um oscilador monoastável cuja maior onda que pode produzir, possui o período da frequência básica de U1, assim podemos assegurar que U2 não vai receber um novo gatilho sem terminar o ciclo ativo, e do pino 3 de U2 conectamos à nossa carga, o duty cicle pode ser variado mexendo no potenciômetro RV1. 
A saida pode ser conectada em um LED para vermos o efeito do PWM como intensidade luminosa, ou podemos colocar um transistor de potência, para chavear uma carga maior usando as regiões de corte e saturação do transistor.

segunda-feira, 7 de junho de 2021

Circuitos sequenciais - flip flops

 Quando vimos eletrônica combinational, a saída atual de um circuito dependia apenas das entradas naquele momento, depois vimos as memórias, ou latches, que são capazes de armazenar uma informação enquanto os pinos de controle estiverem nessa configuração, esses latches, junto com os flip flops, caracterizam os circuitos sequenciais, que servem como memórias, mas diferente dos latches que .são usados para múltiplos bits, e são memórias assincronas, pois dependem apenas do nível lógico nas entradas, os flip flops são memórias sincronas, o valor da saída atual deles, depende do valor da saída anterior, e para essa saida ser modificada ele precisa de uma mudança de nível lógico.

Flip Flop tipo SR

Esse dispositivo é uma evolução do Latch SR, essa sigla SR significa set e reset, eles irão determinar qual será a saída, Q, do flip flop, e para garantir a sincronia existe um circuito detector de borda de subida, para que ele possa interpretar as oscilações do clock, veja abaixo o circuito interno desse sistema:


 
Nesse circuito U1 e U2 são o detector de borda que falei, as vezes podemos pensar que portas lógicas comutam instantaneamente com a  entrada, mas isso não é exatamente verdade, enquanto a comutação da saída é realmente muito rápida, existe um delay de alguns nano-segundos entre a entrada que chega na porta, e a atualização da sua saída, esse detector utiliza desse delay, um sinal entrando em uma porta E com ele mesmo barrado é 0, mas quando o sinal muda de 0 para 1 a porta inversora U1 leva um certo período de tempo com o seu valor antigo, até a atualização, nessa pequena janela de tempo as duas entradas da porta E, U2 estão em 1, a saída vai para 1, mas logo que a inversora faz a mudança U2 vai para 0 novamente então de U2 sai pequenos pulsos de 1 quando o sinal muda de baixo para alto, a tabela verdade desse flip flop é:


Nessa tabela vemos como o clock influencia no funcionamento, se o sinal de clock não variar, as  saidas permanecerão sempre as mesmas, ao colocar set em 1 a saída do flip flop comuta para nível alto no próximo pulso, a mesma coisa para reset, ao ser colocado em 1 ele envia a saída Q para 0 no pulso seguinte, e se Set e Reset estiverem em 1 ao mesmo tempo temos a condição proibida do flip flop, a saida dele ficará em alta impedância. Note que a saída a qual me refiro é Q, a outra Q barrada é um terminal secundário, da montagem do dispositivo.
 

Flip flop tipo JK

A existência da condição proibida no flip flop SR coloca certas limitações de quando não podemos garantir as entradas do dispositivo, exemplo algumas aplicações práticas que podemos não saber as condições de operação. então para evitar essa região foi desenvolvida essa nova classe, como uma evolução do flip flop SR, veja o circuito:

 
 Nessa montagem a condição proibida é substituida por uma região de comutação, em que a saida Q vai ficar oscilando entre 0 e 1.

Flip Flop tipo D

Esse último é uma adaptação do tipo JK, a diferença é que a entrada K é obtida invertendo-se a entrada J, assim eles funcionam como uma memória de 1 bit, a saida só é atualizada para o valor da entrada D quando ocorre um pulso de clock;
s
 

Sinais assíncronos

Além desses sinais básicos de funcionamento de cada tipo de flip flop, alguns ainda possuem dois terminais extras: de clear e preset, esses sinais enviam a saída Q para um valor, independentemente das outras entradas, clear envia a saída para 0 e preset envia a saída para 1.